Amamentação e obesidade infantil

Muitos estudos apontam uma estreita relação entre amamentação e obesidade infantil: crianças que amamentam tem menor risco de desenvolver obesidade e doenças relacionadas, como diabetes tipo I e II, hipertensão, problemas cardiovasculares e intestinais.

Segundo dados do IBGE, no Brasil, uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso. Mas podemos ajudar a reverter esse quadro futuramente começando agora com uma atitude simples e barata: a amamentação!

amamentação e obesidade infantil: imagem de um bebê muito gordo

 

Uma pesquisa realizada por Marcus Renato de Carvalho, pediatra especialista em amamentação da Faculdade de Medicina da UFRJ, mostrou que crianças amamentadas exclusivamente até os 6 meses e continuada até os 2 anos ou mais, apresentaram um fator de proteção contra a obesidade. Observou-se ainda que para cada mês de retardo na introdução alimentar complementar do bebê, o risco de excesso de peso diminui entre 6% e 10%. Outro estudo realizado na USP mostrou que 80% das crianças obesas haviam parado de amamentar antes dos 6 meses, o que reforça os dados anteriores.

Isso ocorre devido a uma combinação de diversos fatores, entre eles:

  • A composição do leite materno é exatamente a que o bebê precisa. Possui a quantidade adequada de proteínas e gorduras, calorias, ferro, cálcio, fósforo etc. Já as fórmulas e leites de outros animais não são tão balanceados.
  • O leite materno possui o hormônio leptina, responsável pela regulação da saciedade. O bebê se sente mais satisfeito ao ingerir o leite materno do que leites de outros animais e fórmulas, visto que não possuem esse hormônio.
  • O bebê que amamenta no seio, interrompe a mamada ao se sentir satisfeito. Já o adulto que oferece mamadeira, interrompe quando julga necessário, sem saber ao certo o nível de saciedade do bebê. Isso interfere no desenvolvimento do seu complexo inato regulador da saciedade. Isso também pode estar relacionado a casos de compulsão alimentar no futuro, pois muitas vezes os pais forçam os bebês a ingerirem quantidades superiores às necessárias.
  • O leite materno é diferente no começo e no final da mamada. O primeiro leite, chamado de leite anterior, é rico em água. Já o leite posterior é o que possui gordura e outros nutrientes. Ao perceber essa diferença entre os dois leites, o bebê sabe que está chegando a hora de parar de mamar. Já os outros leites possuem o mesmo sabor e consistência durante toda a mamada.
  • Ao sugar o seio materno, o bebê tem um gasto energético maior do que ao utilizar a mamadeira (outros riscos do uso da mamadeira você pode ler aqui).
  • O sabor do leite materno modifica-se de acordo com a alimentação da mãe. Assim, bebês que amamentam por mais tempo tem maior facilidade em aceitar novos alimentos por já ter tido contato com diversos sabores. Isso diminui as chances da seletividade e recusa alimentar no futuro. Por isso é importante manter uma dieta equilibrada desde a gestação. Além de ingerir alimentos ricos em nutrientes saudáveis, é muito importante variar no cardápio.

amamentação e obesidade infantil: a alimentação balanceada da mãe é fundamental

 

Infelizmente sabemos que é uma prática comum a prescrição de fórmulas quando o bebê tem dificuldade de amamentar para que ganhe peso rapidamente. Mas lembre-se: amamentação e obesidade infantil estão intimamente ligadas! Por isso, antes de recorrer a esta ou outras alternativas, procure ajuda de um profissional capacitado. Existem várias formas de ajudar seu bebê e até mesmo aumentar sua produção de leite quando for preciso.

Estamos à disposição para mais esclarecimentos sobre este e outros assuntos! Entre em contato com a gente.

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