Gestação

14
maio

Mindfulness na gravidez – Mindful Academy

O Festival Fora da Caixinha, realizado em dezembro de 2017, em Belo Horizonte, foi um evento para agregar saberes e vivências, que possibilitassem fomentar reflexões e aprendizados para um despertar consciente sobre diversos assuntos relacionados à infância, ao desenvolvimento humano e ao relacionamento familiar. Durante o Festival, conhecemos um pouquinho do trabalho das irmãs Andrea e Helade Cappai da Mindful Academy. Gostei muito de participar da oficina delas (vejam nas fotos do Emerson Lana abaixo). Tanto que pedi para escreverem um texto para nosso blog sobre os beneficios de se praticar mindfulness na gravidez.

Oficina "Mindfulness na gravidez" oferecida pela Mindful Academy

As irmãs Andrea e Helade Cappai na oficina “Mindfulness na gravidez” – Festival Fora da Caixinha

 

Audiência da oficina "Mindfulness na gravidez" - Festival Fora da Caixinha

A consultora Mônica na audiência da oficina “Mindfulness na gravidez” – Festival Fora da Caixinha

Elas nos atenderam, nos presenteando com este rico conteúdo que compartilhamos a seguir. Aproveitem!

 


Como incorporar uma gravidez mais consciente

Nós não praticávamos mindfulness quando estávamos grávidas e temos certeza que teria feito muita diferença para nós nesta fase de nossas vidas, mas pelo menos, podemos contar para as pessoas o que elas podem fazer para terem uma gravidez mais mindful. Listamos alguns dos benefícios da mindfulness na gravidez e 4 dicas sobre como você pode ser mais mindful nesta fase.

  1. Mindfulness reduz o estresse.
  2. Mindfulness estimula os sentimentos positivos.
  3. Mindfulness pode ajudar a prevenir parto pré-maturo.
  4. Mindfulness pode promover um desenvolvimento saudável do bebê.

Aqui estão 4 dicas para praticar mindfulness na gravidez.

 

Desacelere.

A gravidez pode ser uma grande oportunidade para aproveitar seu tempo. Tente evitar muitos compromissos e reserve um tempo só para você. Se você acha que você leva muito tempo para fazer qualquer coisa enquanto você está grávida, apenas espere. De repente, você está comprando carrinhos, bebê conforto, cadeirinha de bebê – sem falar das fraldas que parecem explodir toda vez que você acaba de sair de casa, e as inúmeras pequenas exigências. As palavras de Thich Nhat Hanh devem ser seguidas à risca: “sorria, respire e siga vagarosamente”. Seu corpo vai apreciar e seu bebê pode sentir a sua ansiedade, e ele também, irá aproveitar-se disso.

 

A gravidez leva o tempo que tem que levar.

É importante saber e pesquisar sobre o tipo de parto que você quer para fazer escolhas conscientes no nascimento de seu filho. Mas é igualmente valioso reconhecer que as coisas nem sempre vão de acordo com o que a gente planeja. Como a autora do livro “Mindful Birthing” diz, “O nascimento de uma criança não atende a relógios que ditam nossas vidas. É aí, que vem uma lição para todos nós”.

“Quando uma mudança de plano ocorreu com o nascimento do meu filho, eu fiquei abalada”, diz Aimee, e as enfermeiras falaram comigo, “Você tá ótima! Pare de chorar. A gente faz isso todos os dias,” e isso não ajudou em nada. O que ajudou foi a minha parteira dizer para elas que eu não conseguiria ter o meu parto em casa e que eu teria todo direito de me sentir decepcionada. E foi esse tempo todo que eu dei para aqueles sentimentos, um momento. Então, eu tomei a decisão consciente de abandonar e escolher estar presente no dia do nascimento do meu filho.

É verdade que ter um bebê saudável é a coisa mais importante do mundo, mas ignorar ou enterrar a sua resposta emocional fará com que tudo fique mais desafiador para se conectar com a chegada dele. Veja se você consegue se dar um momento para vivenciar o que quer que você esteja sentindo devido aos ajustes da nova vida. Sente-se, respire e talvez, deixe o sentimento ir.

 

Tenha uma boa noite de sono.

Esse um dos maiores desafios durante a gravidez e da maternidade. Mas se você se habituar a tirar sonecas durante a sua gravidez, você poderá ter esse mesmo hábito depois que seu bebê nascer, e se dormir não for uma tarefa fácil, você pode tentar fazer algumas práticas de meditação focadas na consciência corporal. Muitas alunas de yoga já notaram que o simples ato de sentir o espaço entre suas sobrancelhas, pode ajudar a suavizar e relaxar todo o rosto. Tente esse rápido escaneamento corporal:

Comece trazendo a sua atenção para o topo da sua cabeça e sinta o peso do seu crânio. Observe todos os músculos diferentes do seu rosto. Sinta o comprimento do seu pescoço e o peso dos seus braços. Observe a abertura das suas mãos e os seus dedos.

Siga sua respiração como se ela passasse por todo o seu tronco, enchendo seu peito, caixa torácica e barriga. Imagine que você consegue respirar por trás do seu bebê, enchendo sua lombar de ar. Sinta os lados e a parte da frente da sua barriga, cercando seu bebê como se você tivesse o enrolando em uma manta com sua respiração. Imagine-se nutrindo seu bebê com cada inspiração e abraçando-o em cada expiração.

Fique com esse movimento da sua barriga por um tempinho. Então, traga sua atenção para o peso dos seus quadris e pernas. Se você chegar nos seus pés você pode imaginar o seu corpo como um todo, veja sua respiração viajando para os lugares de mais tensão no seu corpo. Veja se cada expiração pode ajudar o seu corpo afundar mais profundamente na sua cama enquanto seus músculos relaxam. No pior dos cenários, você passou tempo com você mesma relaxando conscientemente e renovando seu corpo. No melhor dos cenários…. zzzz……

 

Deixe a sua prática adaptar ao seu filho.

A sua prática de mindfulness vai mudar consideravelmente quando o seu bebê chegar. O que era 1 hora de yoga por dia e meditação pode acabar sendo 10 minutos de meditação enquanto seu bebê dorme e/ou 10 minutos de alongamento enquanto você está abraçando seu bebê e/ou 10 minutos de concentração na sua respiração enquanto você amamenta. Vai demorar um tempinho ainda até que você volte a sua velha rotina, mas aproveitar esses minutinhos para praticar todos os dias podem fazer uma grande diferença no seu nível de energia, na sua paciência, e na sua habilidade de se envolver com o seu bebê e com os outros de forma positiva e consciente.

Boa hora pra você!

Mindful Academy

20
nov

Alimentação durante a gravidez

Dicas para uma boa alimentação durante a gravidez!

É comum que as mães fiquem preocupadas com a alimentação durante a gravidez para que seu bebê se desenvolva de forma saudável. Além disso, existe a preocupação com o ganho de peso, não é verdade? Se formos parar pra pensar, a alimentação da gestante na verdade deve ser nada mais nada menos do que a ideal para todos. Vamos dar algumas dicas e vocês entenderão o porquê.

Procure ter uma alimentação equilibrada e bem diversificada, dando preferência aos alimentos de origem vegetal, naturais e integrais. Feijões, cereais, legumes, verduras, frutas, castanhas, leites, carnes e ovos, tornam a refeição balanceada e saborosa. Evite ao máximo alimentos processados e ultra processados (enlatados, embutidos, macarrão instantâneo, refrigerantes, sucos artificiais, biscoitos recheados etc). Isto favorecerá a formação e o desenvolvimento adequado e saudável do seu bebê, além de ser bom para sua própria saúde.

Ao consumir carnes, retire a pele e a gordura em excessos. Evite o consumo excessivo de carne vermelha, alterne com peixe, frango, ovo ou outras fontes de proteína mais magra.

Para preparar os alimentos, evite o uso de óleos, açúcar e sal em excesso. Utilize temperos caseiros, e não os industrializados que são ricos em sódio e por isso prejudiciais a saúde.  Leia sempre os rótulos dos alimentos e prefira aqueles livres de gordura trans.

Consuma diariamente frutas, verduras e legumes da época. Eles são ricos em vitaminas e minerais, possuem poucas calorias e ajudam na prevenção da obesidade e de doenças crônicas.

Faça três refeições principais durante o dia (café da manhã, almoço e jantar), e pelo menos duas menores entre elas. Evite ficar “beliscando” e coma devagar. As refeições deverão ser feitas na mesa, sem distratores como televisão por exemplo.

Para diminuir o risco de anemia, consuma diariamente alimentos ricos em ferro (carnes, miúdos, feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, folhas verde-escuras, grãos integrais, castanhas). Junto com esses alimentos, consuma frutas que sejam fontes de vitamina C, como laranja, caju, limão, acerola e goiaba. Além disso, é recomendável a ingestão de ácido fólico durante toda a gestação, e sulfato ferroso durante a gestação até o terceiro mês depois do parto.

Seguindo estas recomendações, você conseguirá manter a alimentação durante a gravidez bem equilibrada, com o ganho de peso adequado e garantindo a formação e crescimento saudável de seu filho. Claro que as condições de saúde particulares de cada mãe e cada bebê devem ser consideradas. Por isso, converse melhor com seu médico a respeito disso. Estas dicas não substituem uma consulta com o profissional capacitado.

4
out

Meu bebê quer colo e peito o tempo todo

Entenda a teoria da exterogestação

Diferente da maioria dos outros animais, o ser humano não nasce apto a andar, não fala, não enxerga, não tem capacidade de interpretar os sons, não senta, não sustenta a cabeça e não tem capacidade de se alimentar sozinho. Ou seja, ele nasce totalmente dependente da mãe e as vezes só quer peito o tempo todo.

O antropólogo Ashley Montagu criou a teoria da exterogestação, que tem sido amplamente divulgada pelo pediatra Harvey Karp. Essa teoria nos diz que a gestação não dura somente 9 meses, mas sim 12, sendo os últimos 3 no ambiente extra uterino. Esse período seria a transição do bebê de dentro da barriga da mãe para a vida aqui fora e sua adaptação.

Quando nascem, os bebês ainda não sabem que são seres separados da mãe. Para eles os dois são um ser só. Além disso, vieram de um ambiente totalmente escuro, onde ficavam bem apertadinhos, ouviam os sons internos e a voz da mãe e recebiam alimento o tempo todo via cordão umbilical. Por isso é comum o bebê querer ficar grudadinho na mãe, ele ainda não se reconhece como ser distinto. E isso nos dá a impressão de que ele quer peito o tempo todo.

E o que podemos fazer para ajudar o bebê?

A resposta é simples: procure estratégias que o façam remeter ao ambiente intra uterino. Desta forma ele se sentirá seguro e vai descobrindo aos poucos que ele e a mãe são seres separados.

Fazer o casulinho com o bebê é ótimo! Ele se sentirá como se estivesse dentro do útero, bem apertadinho.

Bebê quer peito o tempo todo - passo a passo para colocá-lo no casulinho

Como fazer o casulinho com o bebê

Outro ótimo aliado é o sling. Com ele, você terá as mãos livres para realizar outras tarefas enquanto o bebê fica grudadinho em você o tempo todo. Ele estará ouvindo o seu batimento cardíaco, assim como ouvia dentro da barriga. Estará regulando a temperatura corporal de acordo com a sua. Você sabia que isso ajuda a evitar cólicas? Os bebês se desgastam muito tentando ajustar a temperatura corporal sozinhos, o que acaba gerando gases e desconforto abdominal! Isso também favorecerá a amamentação, pois a proximidade do seu bebê estimula sua produção de leite e ele poderá mamar a qualquer momento.

posição do bebê no sling por faixa etária - meu bebê quer colo e peito o tempo todo

Como o bebê fica posicionado no sling

Por falar em amamentação, durante este período parece que o bebê quer peito o tempo todo não é mesmo? Como falamos anteriormente, dentro do útero ele recebia alimento constantemente via cordão umbilical. Por isso ele ainda não consegue controlar os horários de mamada. Assim, é importante manter a livre demanda.

Fique tranqüila que aos poucos ele vai estabelecendo uma rotina. E lembre-se: bebês não sugam o peito só para conseguir alimento. Eles têm necessidade da sucção não nutritiva, que acalma e traz segurança (falamos um pouco mais sobre isso aqui). E também será a sucção do bebê que irá regular sua produção de leite. Por isso, ofereça o seio sempre que o bebê quiser. As outras estratégias que citamos ajudam a tranqüilizar o bebê, e tendem a diminuir essa vontade de ficar no peito o tempo todo.

Outras técnicas que trazem tranqüilidade e ajudam o bebê a lembrar do ambiente uterino são o banho de balde e a shantala. Imitar o som do útero (um shhhhh constante) também ajuda. Existem alguns aplicativos de celular com este som, mas o ruído de um secador de cabelos ou aspirador de pó são bem parecidos.

Resumindo um pouco tudo isso, existe o método 5s, que o pediatra Dr. Daniel Becker mostra no vídeo a seguir::

Mas não vou deixar meu filho mal acostumado assim?

Não! Bebês não tem a capacidade de manipular os adultos. Eles não estão fazendo manha e não ficarão mal acostumados. Eles precisam se sentir seguros e amados para conseguirem desenvolver bem suas habilidades.

Entendemos que seja cansativo, e por isso reforçamos mais uma vez a importância da mãe ter uma rede de apoio, para que se dedique exclusivamente ao bebê. E logo essa fase irá passar e você sentirá falta de ter seu filho grudadinho em você. Em caso de dúvidas, entre em contato com a gente. Estamos à disposição para te atender!

11
jun

Grávida pode amamentar?

Algumas vezes acontece de uma mãe que está amamentando engravidar, e aí surge a dúvida: grávida pode amamentar?

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10
ago

Direitos da mãe e da gestante

Com a Constituição Federal de 1988, foram garantidos por lei alguns direitos da mãe e da gestante que trabalha e outros foram conquistados posteriormente pelas mulheres. Fato é que toda gestante e mãe têm direitos específicos e deve exigi-los. Vamos listá-los abaixo.

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3
jun

Por que conversar com o bebê durante a gestação?

O ouvido do bebê já estará formado por volta da 16ª semana, isto significa que, a partir desse momento, começa a ouvir o que acontece dentro e fora do útero. E por que começar a ouvir tão cedo? Bem, isso acontece pois é no útero que o bebê começa a se acostumar aos estímulos que recebe do meio externo, o que é muito importante para seu desenvolvimento. Daí a importância de conversar com o bebê.

 

O que quero dizer?

O som do coração da mãe, sua voz e os sons do meio exterior, estão diretamente ligados ao desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem da criança. Essa foi a conclusão alcançada por pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, que avaliou 40 bebês nascidos muito prematuramente (entre as semanas 25 e 32) para ver quais diferenças eram observadas em seus cérebros quando escutavam gravações com a voz da sua mãe e sons de batimentos cardíacos em comparação à outros bebês que escutavam apenas um ruído ambiente.

Um mês após o início do experimento, quando, em teoria, deveriam ainda estar dentro do útero, os bebês foram reavaliados. O que os pesquisadores perceberam?  Eles descobriram que os recém-nascidos que haviam sido expostos a sons maternos tinham córtex auditivo – região do cérebro que é responsável pelo processamento da audição e linguagem – maior do que aqueles que escutaram apenas sons ambientais.

Isto demonstrou a importância desses estímulos vocais para o desenvolvimento dessa área particular do cérebro “antes do nascimento”, ou seja, antes que o cérebro atinja a maturidade de um bebê a termo. Eles concluíram, então, que os estímulos auditivos vindos de dentro do corpo da mãe e estímulos vocais externos são importantes para o desenvolvimento cerebral e que, portanto, conversar com o bebê durante a gestação ajudará no desenvolvimento das habilidades auditivas, de linguagem e fala após o nascimento.

Além disso, conversar com o bebê durante a gestação é muito positivo para os pais e familiares, pois é uma boa maneira de construir os laços afetivos. Se a mãe (ou o pai) conversar com o bebê dentro da barriga, será mais fácil e habitual falar com ele após o nascimento e melhor será a relação familiar. A interação com o outro é extremamente importante para o desenvolvimento da criança.

papai a conversar com o bebê dentro da barriga da mamãe

Se você ainda não tem o hábito de conversar com o bebê dentro da barriga, agora já tem algumas razões para separar um tempo especial para isso.

Fonte para o estudo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25713382