Outubro Rosa – câncer de mama e a amamentação

Já havíamos falado um pouco sobre como a amamentação pode diminuir os riscos de câncer de mama nesse texto. Como iniciamos agora o Outubro Rosa, uma campanha internacional para o combate a este tipo de câncer, que, só no Brasil, mata cerca de 14.000 mulheres por ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), resolvemos explorar mais o assunto.

Na realidade, ainda não se sabe certamente a causa dessa relação. Contudo, diversos estudos apontam que a amamentação e um número maior de gestações da mulher diminuem consideravelmente o risco dos tipos mais comuns de câncer de mama. Acredita-se que isso ocorra devido a diminuição do número de ciclos menstruais. Enquanto amamenta ou está grávida, a mulher não menstrua.

 

O que mostram as pesquisas

Um exemplo prático dessa relação, são as indígenas. A maioria delas, quando não está grávida está amamentando, ou as duas coisas. E sabe-se que elas apresentam uma taxa de câncer de mama baixíssima.

Uma pesquisa desenvolvida no Mato Grosso pelo INCA, com índias da Tribo Terena, comparou aquelas que ainda vivem na tribo e apresentam estilo de vida preservado com aquelas que saíram da tribo e levam o estilo de vida da cidade grande, ingressaram no mercado de trabalho, etc. O estudo mostrou que as índias que ainda moram na tribo e estão mais frequentemente grávidas ou amamentando, tem uma dieta basicamente a base de peixes e vegetais, apresentaram índice quase zero de câncer de mama. Já com as índias que foram para a cidade e adotaram outro estilo de vida, com menos filhos e uma alimentação desequilibrada, houve maior incidência da doença. Essa pesquisa associou também outro fator conhecido de risco de câncer: o estilo de vida e a alimentação.

Outro exemplo que mostra essa relação ocorre no Japão. Até meados dos anos 80, o índice de câncer de mama em mulheres era praticamente nulo. A partir desse período, elas começaram a se profissionalizar e entrar para o mercado de trabalho. Consequentemente, passaram a ter menos filhos, amamentar por menos tempo e ter uma vida mais agitada. Em 30 anos, o índice de câncer de mama aumentou consideravelmente nestas mulheres (quase o dobro). Esse fenômeno também ocorreu em outros países orientais, como China e Índia.

Vale ressaltar que, infelizmente, essa proteção perde força caso tenha algum fator genético associado. O fator genético é tão impactante que o aumento na amamentação ou no número de gestações não será suficiente para combatê-lo.

 

Outubro Rosa: Auto-exame e Prevenção

Esses dados nos preocupam, no que diz respeito ao estilo de vida que estamos levando. A tendência é uma diminuição do número de filhos e, com a inserção da mulher no mercado de trabalho, a diminuição do período de amamentação. (NOTA: Quando estiver amamentando e for retornar ao serviço, entre em contato com a gente. Já demos algumas dicas nesse texto, mas nada substitui uma consultoria personalizada.)

Especialmente na campanha do Outubro Rosa, ressaltamos como ter uma vida saudável, com uma alimentação equilibrada, e amamentar por mais tempo podem te ajudar a prevenir o câncer de mama. Além disso, o auto-exame é fundamental para identificar anormalidades, possíveis indícios da doença e ajudar no diagnóstico precoce.

campanha do Outubro Rosa com instruções para auto exame do câncer de mama

Mas lembramos que as orientações contidas nesse texto não substituem uma consulta médica e um acompanhamento adequado. Faça o auto- exame e consulte seu médico regularmente. Caso tenha dúvidas em relação à amamentação, entre em contato com a gente!

Link para a pesquisa: http://www.cesir.unir.br/pdfs/doc4.pdf

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